Retaliação a produtos dos EUA chegará a US$ 591 milhões, diz ministério
SÃO PAULO/BRASÍLIA, 8 de março (Reuters) - O governo brasileiro divulgou nesta segunda-feira a lista de produtos norte-americanos, incluindo algodão e trigo, sujeitos a aumento de tarifa de importação como retaliação autorizada pela Organização Mundial de Comércio (OMC) em uma antiga disputa envolvendo os subsídios norte-americanos ao algodão. A retaliação vai atingir US$ 591 milhões.
O Brasil tem direito a uma retaliação de US$ 829 milhões. Os US$ 238 milhões restantes seriam aplicados nos setores de propriedade intelectual e serviços, em forma ainda a ser definida.
A tarifa sobre as importações de trigo (com exceção do trigo duro ou para semeadura) passa de 10% atualmente para 30%.
Já a tarifa sobre o algodão cardado ou penteado será de 100%, ante 8% atualmente. O algodão simplesmente debulhado também terá tarifa de 100%, contra 6% atuais. Essas são as tarifas mais altas na lista, incluindo produtos derivados.
Essas medidas entrarão em vigor 30 dias após a data de publicação, a não ser que os dois países alcancem um acordo de última hora.
A lista inclui ainda muitos produtos de beleza, como cremes e xampus, cujas tarifas aumentam de 18% para 36%. Já frutas como nozes, uvas, peras, cerejas e ameixas terão a tarifa ampliada de 10% para 30%.
Entre os produtos que constam da lista publicada no Diário Oficial da União, estão ainda metanol (de 12% para 22%), medicamentos contendo paracetamol (exceto em doses - de 14% para 28%), leitores de códigos de barras (de 12% para 22%), fones de ouvido (de 20% para 40%) e óculos de sol (de 20% para 40%).
Também foram incluídos vários tipos de automóveis, com tarifas subindo de 35% para 50%.
Entenda o caso
A OMC autorizou em novembro o Brasil a impor sanções sobre produtos dos EUA, como punição aos excessivos gastos de Washington para subsidiar cotonicultores e também por causa de um programa de garantias para créditos a exportadores.
Na terça-feira o secretário de Comércio dos EUA, Gary Locke, visitará o Brasil e deve fazer uma proposta para resolver a disputa, que atrai a atenção do mundo inteiro por ser uma das poucas em que a OMC autorizou uma retaliação cruzada, ou seja, a parte prejudicada pode retaliar contra um setor não envolvido na disputa.
Na semana passada, o chefe de assuntos econômicos do Itamaraty, embaixador Carlos Marcio Cozendey, afirmou que o Brasil publicará até 23 de março uma lista separada de retaliação cruzada, que pode quebrar patentes e outros direitos de propriedade intelectual na indústria de música ou farmacêutica, de acordo com analistas.
Os Estados Unidos podem decretar mudanças parciais, mas uma reforma maior aos programas de algodão vão exigir a aprovação do Congresso norte-americano, o que pode ser difícil e demorado.
Cozendey disse na semana passada que o Brasil pode aceitar uma proposta dos EUA se houver uma garantia de enviar um projeto de reforma ao Congresso.
(Por Camila Moreira e Raymond Colitt, Edição de Marcelo Teixeira)
Fonte: http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2010/03/08/retaliacao-aos-eua-chegara-a-us-591-milhoes-diz-ministerio.jhtm, acesso em 08.03.10
sábado, 20 de março de 2010
No início desta semana o governo brasileiro anunciou o início das retaliações comerciais aos EUA em virtude da condenação na OMC à política de subsídios no setor algodoeiro praticado pelos americanos. A questão nos remete assim a uma das matérias de atualidades mais cobradas em concursos: o comércio mundial.
Para entendermos este assunto, gostaria que nos lembrássemos da OMC e da Rodada Doha.
A OMC substituiu o GATT (Acordo Geral de Tarifas Alfandegárias) na década de 90. Tem como funções principais a regulação do comércio e a solução de conflitos entre os países membros. Atualmente estamos vivendo a chamada Rodada Doha – chamada assim por ter se iniciado em Doha, capital do Catar em 2001 – que esta inconclusa, ou seja, as negociações estão em aberto, pois há um confronto claro e sem convergência entre dois grandes grupos:
Países centrais (desenvolvidos): que demandam dos países periféricos três questões principais
. Propriedade intelectual (patentes)
. Abertura para produtos de alta tecnologia (3ª revolução industrial)
. Abertura de licitações para o mercado internacional.
Os países periféricos (subdesenvolvidos) – dentre eles o Brasil, busca dois pontos fundamentais
. Abertura para produtos de baixa tecnologia (1ª e 2ª revolução industrial)
. Abertura para os produtos primários (em especial agropecuária)
O problema é que os países centrais promovem políticas protecionistas para com setores em que são pouco competitivos, como por exemplo, os demandados pelos periféricos.
O protecionismo ocorre de duas formas:
a) Tarifário (aumento das alíquotas de importação)
b) Não tarifários (cotas e barreiras sanitárias)
Dificultando/impedindo a entrada de produtos do mundo subdesenvolvido. Daí a Rodada Doha não avançar.
O assunto da retaliação brasileira faz jus a esta questão, pois os EUA só de 1999 a 2002 usaram subsídios diretos no setor de algodão da ordem de US$ 12 bilhões a.a, gerando uma assimetria no comércio mundial, agora condenada em definitivo pela OMC.
Precisamos estar atentos a estas questões!
Bons estudos e até a APROVAÇÃO!!!
prof. Alex Mendes
prof. Leonardo Dantas
Para entendermos este assunto, gostaria que nos lembrássemos da OMC e da Rodada Doha.
A OMC substituiu o GATT (Acordo Geral de Tarifas Alfandegárias) na década de 90. Tem como funções principais a regulação do comércio e a solução de conflitos entre os países membros. Atualmente estamos vivendo a chamada Rodada Doha – chamada assim por ter se iniciado em Doha, capital do Catar em 2001 – que esta inconclusa, ou seja, as negociações estão em aberto, pois há um confronto claro e sem convergência entre dois grandes grupos:
Países centrais (desenvolvidos): que demandam dos países periféricos três questões principais
. Propriedade intelectual (patentes)
. Abertura para produtos de alta tecnologia (3ª revolução industrial)
. Abertura de licitações para o mercado internacional.
Os países periféricos (subdesenvolvidos) – dentre eles o Brasil, busca dois pontos fundamentais
. Abertura para produtos de baixa tecnologia (1ª e 2ª revolução industrial)
. Abertura para os produtos primários (em especial agropecuária)
O problema é que os países centrais promovem políticas protecionistas para com setores em que são pouco competitivos, como por exemplo, os demandados pelos periféricos.
O protecionismo ocorre de duas formas:
a) Tarifário (aumento das alíquotas de importação)
b) Não tarifários (cotas e barreiras sanitárias)
Dificultando/impedindo a entrada de produtos do mundo subdesenvolvido. Daí a Rodada Doha não avançar.
O assunto da retaliação brasileira faz jus a esta questão, pois os EUA só de 1999 a 2002 usaram subsídios diretos no setor de algodão da ordem de US$ 12 bilhões a.a, gerando uma assimetria no comércio mundial, agora condenada em definitivo pela OMC.
Precisamos estar atentos a estas questões!
Bons estudos e até a APROVAÇÃO!!!
prof. Alex Mendes
prof. Leonardo Dantas
terça-feira, 9 de março de 2010
Escândalo no Distrito Federal
Denúncias levam governador à prisão
Casos de corrupção envolvendo políticos fazem parte do cotidiano do brasileiro. O escândalo no Distrito Federal, contudo, trouxe situações inéditas na história recente do país. Pela primeira vez desde o fim da ditadura militar (1964-1985), um governador foi preso no exercício do cargo, depois de ser flagrado recebendo dinheiro de supostas propinas.
O governador afastado do DF, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), foi preso no dia 11 de fevereiro de 2010 por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em seu lugar, assumiu o vice-governador, o empresário Paulo Octávio (DEM), que também é alvo de denúncias e de pedidos de impeachment. Por isso, a Procuradoria-Geral da República formalizou, junto ao STF, um pedido de intervenção no Distrito Federal.
Caso o Supremo aprove o pedido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai indicar um interventor para assumir o posto. A intervenção duraria até que um novo governador fosse eleito e empossado em janeiro de 2011, ou, então, que os motivos do decreto se extinguissem e as autoridades afastadas pudessem retornar aos cargos. Seria uma medida inédita desde a redemocratização do país.
O Distrito Federal é uma das 27 unidades federativas do Brasil, onde está situada Brasília, a capital. Porém, diferente das demais, não é Estado, e tampouco município. O Poder Executivo é chefiado pelo governador, mas como o território não possui municípios, é um "Estado" sem prefeitos ou vereadores. O Poder Legislativo é exercido pela Câmara Legislativa, constituída por 24 deputados distritais.
Arruda é acusado de comandar um esquema de corrupção que pagaria propina para parlamentares da base aliada do governo. O dinheiro seria proveniente de empresas que possuem contratos públicos com o governo do Distrito Federal.
Oito dos 24 deputados da Câmara Legislativa - incluindo o ex-presidente da Casa, Leonardo Prudente - são suspeitos, além de empresários. Os crimes investigados são de corrupção e formação de quadrilha, entre outros.
Pelo menos dois fatores conferem maior importância a este caso: a extensão do suposto esquema, que envolve os líderes dos poderes Executivo e Legislativo, e os flagrantes em vídeo, que mostram o próprio governador e os demais envolvidos guardando maços de dinheiro em bolsas, meias e cuecas.
Flagrantes
O escândalo começou no dia 27 de novembro de 2009, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação "Caixa de Pandora". Na ocasião, foram divulgados os vídeos que mostram empresários e políticos recebendo dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais do governo, Durval Barbosa. O material foi gravado pelo próprio Barbosa, que virou colaborador da PF em troca de redução da pena numa eventual condenação na Justiça.
A situação do governador afastado começou a se complicar em 4 de fevereiro de 2010. Nesse dia, foi preso um suposto representante de Arruda, por tentar subornar uma das testemunhas do processo, o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, para que mudasse o depoimento em favor dos envolvidos. Foram as suspeitas de que o governador estivesse obstruindo as investigações que levaram a Justiça a decretar a prisão preventiva.
Arruda começou a carreira política como senador pelo PP, em 1995. Em 2001, no PSDB, renunciou ao mandato para escapar da cassação. Nessa ocasião, foi acusado de violar o painel eletrônico do Senado durante a votação da cassação do mandato do senador Luíz Estevão (PMDB). Em 2002, foi eleito deputado federal pelo PFL (atual DEM). Desde 2006 exerce o primeiro mandato como governador do Distrito Federal.
O esquema teria começado antes de Arruda ser eleito. Segundo a PF, ele teria recebido verbas de campanha não declaradas à Justiça Eleitoral, provenientes de empresas privadas. A prática é conhecida como "caixa dois". Depois de eleito, as empresas foram contratadas para prestarem serviços públicos. O dinheiro destinado a obras públicas teria sido desviado por meio de fraudes em licitações e distribuído entre o governador, seus aliados e deputados de situação.
O governador licenciado alega inocência e afirma que o dinheiro que ele aparece recebendo nas imagens seria doação para a compra de panetones, destinados a famílias carentes do Distrito Federal.
Desdobramentos
O escândalo mexeu no cenário político do ano eleitoral. Em 3 de outubro 2010, serão eleitos presidente, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. Com o afastamento e prisão de Arruda, o DEM perdeu seu único governador no país, que tinha chances de se reeleger. O partido também faz oposição ao Governo Federal e sai com a credibilidade abalada para as coligações políticas e diante dos eleitores.
Contra o governador afastado pesam ainda três pedidos de impeachment. É possível que ele renuncie ao cargo para escapar da cassação, que o impediria de se reeleger por oito anos. A manobra também facilitaria a concessão de um habeas corpus junto ao Supremo e impediria a intervenção federal.
Um dos pedidos de abertura de impeachment contra Arruda será votado no dia 18 de fevereiro, na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Pelo menos três deputados distritais, de um total de oito envolvidos no caso, também correm o risco de terem os mandatos cassados. São eles: Leonardo Prudente (ex-DEM, sem partido), Eurídes Brito (PMDB) e Júnior Brunelli (PSC). Os três foram filmados recebendo pacotes de dinheiro.
Direto ao ponto
O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), foi preso no dia 11 de fevereiro 2010 por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STF). Na história recente do país, é a primeira vez que um governador em exercício do cargo é preso.
Arruda é acusado de comandar um esquema de corrupção que pagaria propina para deputados distritais que compõem a base aliada do governo na Câmara Legislativa. Oito dos 24 parlamentares estariam envolvidos. O dinheiro seria proveniente de empresas que possuem contratos públicos com o governo do DF.
No lugar de Arruda, assumiu o vice-governador Paulo Octávio (DEM), que também é alvo de denúncias. Por isso, a Procuradoria-Geral da República pediu a intervenção no DF. Se o STF aprovar o pedido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai indicar um interventor para assumir o posto, até que novo governador seja eleito.
O escândalo começou no dia 27 de novembro de 2009, quando a Polícia Federal deflagrou a operação "Caixa de Pandora". A PF divulgou vídeos em que os suspeitos aparecem recebendo pacotes de dinheiro que são guardados em bolsas, meias e cuecas.
Casos de corrupção envolvendo políticos fazem parte do cotidiano do brasileiro. O escândalo no Distrito Federal, contudo, trouxe situações inéditas na história recente do país. Pela primeira vez desde o fim da ditadura militar (1964-1985), um governador foi preso no exercício do cargo, depois de ser flagrado recebendo dinheiro de supostas propinas.
O governador afastado do DF, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), foi preso no dia 11 de fevereiro de 2010 por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em seu lugar, assumiu o vice-governador, o empresário Paulo Octávio (DEM), que também é alvo de denúncias e de pedidos de impeachment. Por isso, a Procuradoria-Geral da República formalizou, junto ao STF, um pedido de intervenção no Distrito Federal.
Caso o Supremo aprove o pedido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai indicar um interventor para assumir o posto. A intervenção duraria até que um novo governador fosse eleito e empossado em janeiro de 2011, ou, então, que os motivos do decreto se extinguissem e as autoridades afastadas pudessem retornar aos cargos. Seria uma medida inédita desde a redemocratização do país.
O Distrito Federal é uma das 27 unidades federativas do Brasil, onde está situada Brasília, a capital. Porém, diferente das demais, não é Estado, e tampouco município. O Poder Executivo é chefiado pelo governador, mas como o território não possui municípios, é um "Estado" sem prefeitos ou vereadores. O Poder Legislativo é exercido pela Câmara Legislativa, constituída por 24 deputados distritais.
Arruda é acusado de comandar um esquema de corrupção que pagaria propina para parlamentares da base aliada do governo. O dinheiro seria proveniente de empresas que possuem contratos públicos com o governo do Distrito Federal.
Oito dos 24 deputados da Câmara Legislativa - incluindo o ex-presidente da Casa, Leonardo Prudente - são suspeitos, além de empresários. Os crimes investigados são de corrupção e formação de quadrilha, entre outros.
Pelo menos dois fatores conferem maior importância a este caso: a extensão do suposto esquema, que envolve os líderes dos poderes Executivo e Legislativo, e os flagrantes em vídeo, que mostram o próprio governador e os demais envolvidos guardando maços de dinheiro em bolsas, meias e cuecas.
Flagrantes
O escândalo começou no dia 27 de novembro de 2009, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação "Caixa de Pandora". Na ocasião, foram divulgados os vídeos que mostram empresários e políticos recebendo dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais do governo, Durval Barbosa. O material foi gravado pelo próprio Barbosa, que virou colaborador da PF em troca de redução da pena numa eventual condenação na Justiça.
A situação do governador afastado começou a se complicar em 4 de fevereiro de 2010. Nesse dia, foi preso um suposto representante de Arruda, por tentar subornar uma das testemunhas do processo, o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, para que mudasse o depoimento em favor dos envolvidos. Foram as suspeitas de que o governador estivesse obstruindo as investigações que levaram a Justiça a decretar a prisão preventiva.
Arruda começou a carreira política como senador pelo PP, em 1995. Em 2001, no PSDB, renunciou ao mandato para escapar da cassação. Nessa ocasião, foi acusado de violar o painel eletrônico do Senado durante a votação da cassação do mandato do senador Luíz Estevão (PMDB). Em 2002, foi eleito deputado federal pelo PFL (atual DEM). Desde 2006 exerce o primeiro mandato como governador do Distrito Federal.
O esquema teria começado antes de Arruda ser eleito. Segundo a PF, ele teria recebido verbas de campanha não declaradas à Justiça Eleitoral, provenientes de empresas privadas. A prática é conhecida como "caixa dois". Depois de eleito, as empresas foram contratadas para prestarem serviços públicos. O dinheiro destinado a obras públicas teria sido desviado por meio de fraudes em licitações e distribuído entre o governador, seus aliados e deputados de situação.
O governador licenciado alega inocência e afirma que o dinheiro que ele aparece recebendo nas imagens seria doação para a compra de panetones, destinados a famílias carentes do Distrito Federal.
Desdobramentos
O escândalo mexeu no cenário político do ano eleitoral. Em 3 de outubro 2010, serão eleitos presidente, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. Com o afastamento e prisão de Arruda, o DEM perdeu seu único governador no país, que tinha chances de se reeleger. O partido também faz oposição ao Governo Federal e sai com a credibilidade abalada para as coligações políticas e diante dos eleitores.
Contra o governador afastado pesam ainda três pedidos de impeachment. É possível que ele renuncie ao cargo para escapar da cassação, que o impediria de se reeleger por oito anos. A manobra também facilitaria a concessão de um habeas corpus junto ao Supremo e impediria a intervenção federal.
Um dos pedidos de abertura de impeachment contra Arruda será votado no dia 18 de fevereiro, na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Pelo menos três deputados distritais, de um total de oito envolvidos no caso, também correm o risco de terem os mandatos cassados. São eles: Leonardo Prudente (ex-DEM, sem partido), Eurídes Brito (PMDB) e Júnior Brunelli (PSC). Os três foram filmados recebendo pacotes de dinheiro.
Direto ao ponto
O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), foi preso no dia 11 de fevereiro 2010 por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STF). Na história recente do país, é a primeira vez que um governador em exercício do cargo é preso.
Arruda é acusado de comandar um esquema de corrupção que pagaria propina para deputados distritais que compõem a base aliada do governo na Câmara Legislativa. Oito dos 24 parlamentares estariam envolvidos. O dinheiro seria proveniente de empresas que possuem contratos públicos com o governo do DF.
No lugar de Arruda, assumiu o vice-governador Paulo Octávio (DEM), que também é alvo de denúncias. Por isso, a Procuradoria-Geral da República pediu a intervenção no DF. Se o STF aprovar o pedido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai indicar um interventor para assumir o posto, até que novo governador seja eleito.
O escândalo começou no dia 27 de novembro de 2009, quando a Polícia Federal deflagrou a operação "Caixa de Pandora". A PF divulgou vídeos em que os suspeitos aparecem recebendo pacotes de dinheiro que são guardados em bolsas, meias e cuecas.
segunda-feira, 8 de março de 2010
[Mandela – 20 anos de liberdade]
Há vinte anos, em 11 de fevereiro de 1990, Nelson Mandela foi libertado da prisão para conduzir o processo de extinção do apartheid - legislação que segregou negros na África do Sul por quatro décadas - e a democratização do país.
Sede da Copa do Mundo de 2010 e maior potência econômica no continente africano, a África do Sul conseguiu superar, nestas duas décadas, as barreiras legais e políticas que separavam brancos (apenas 9% da população) e negros. Mas um "muro" social mantém metade da população negra abaixo da linha da pobreza.
O fim do apartheid foi um evento tão importante na segunda metade do século 20 quanto a queda do Muro de Berlim e o colapso dos regimes comunistas no Leste Europeu e na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Esses eventos históricos aconteceram na mesma época.
Num mundo às portas da globalização, o apartheid era considerado uma aberração. O único paralelo na história, em termos de criação de leis de segregação racial, aconteceu na Alemanha nazista e em alguns estados sulistas dos Estados Unidos.
A prática da segregação na África do Sul remonta ao período colonial. Os africâners (ou bôeres), descendentes de holandeses, e os ingleses chegaram no século 17. As primeiras regras que restringiam o direito de ir e vir dos negros em colônias britânicas datam do século 19.
O regime foi implantado oficialmente em 1948, quando o Partido Nacional venceu as eleições. O partido conservador da elite branca governou o país até 1994. Entre outras regras, as leis impediam que negros frequentassem as mesmas escolas, restaurantes ou piscinas que brancos; que morassem em bairros de brancos; e determinava o registro da raça nos documentos pessoais.
O apartheid também acentuou uma história de lutas e resistência contra a minoria branca, o que resultou em massacres e na prisão de vários líderes negros; dentre eles, Mandela.
Libertação
Por conta da legislação racista, a África do Sul sofreu sanções políticas e embargos comerciais de países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). O país, por exemplo, foi banido dos Jogos Olímpicos durante 21 anos, por determinação do Comitê Olímpico Internacional.
A pressão externa e as revoltas domésticas começaram a produzir resultados em 1989, quando o presidente eleito Frederik Willem de Klerk deu início ao desmonte do sistema segregacionista. Ele legalizou partidos negros, como o Congresso Nacional Africano (CNA), de Nelson Mandela, e começou a revogar, aos poucos, as leis do apartheid.
O ato mais simbólico foi a libertação de Mandela, aos 71 anos de idade. Ele estava preso há 27 anos, condenado à prisão perpétua pelos crimes de traição, sabotagem e conspiração contra o governo. Uma vez fora da prisão, o movimento dos negros sul-africanos ganhou uma voz de expressão internacional.
Presidência
De Klerk e Mandela eram duas figuras antagônicas que a história se encarregou de unir. De Klerk foi o último presidente branco do país, um africâner oriundo das classes mais tradicionais. Mandela, primeiro presidente negro, pertencia a uma linhagem real da etnia dos xhosas; era de esquerda e defendia a luta armada contra o apartheid. Pelos esforços para derrubar o regime racista, ambos dividiram, em 1993, o prêmio Nobel da Paz.
A queda do apartheid começou com a criação de um fórum multirracial, a Convenção da África do Sul Democrática (Codesa), e a convocação de um referendo para aprovar uma nova Constituição. A Carta provisória, aprovada em 1993, revogou completamente as leis racistas.
O segundo passo foi a convocação das primeiras eleições democráticas multirraciais em 1994, que elegeram Mandela presidente. A vitória de Mandela pôs fim a três séculos e meio de dominação da minoria branca na África do Sul.
Ao tomar posse, o líder negro adotou um tom de reconciliação e superação das diferenças. Um exemplo disso foi realização da Copa Mundial de Rúgbi, em 1995. O esporte era uma herança do período colonial e, por isso, boicotado pelos negros por representar o governo dos brancos (veja filme indicado abaixo).
Nos dois anos seguintes, a Constituição definitiva e o processo de transição foram concluídos. Entre os anos de 1996 e 1998, o arcebispo Desmond Tutu liderou a Comissão de Verdade e Reconciliação para apurar crimes cometidos durante o apartheid. Foram abertos processos judiciais para pagamentos de indenizações às vítimas do regime.
Mandela deixou a Presidência em 1999 e passou a se dedicar a campanhas para diminuir os casos de Aids na África do Sul, emprestando seu prestígio para arrecadar fundos para o combate à doença. O país possui a maior quantidade de portadores de HIV no mundo: 5,7 milhões de pessoas.
Desigualdade social
Desde a eleição de Mandela, o Congresso Nacional Africano (CNA) mantém maioria na Assembleia Nacional e elege presidentes. O mais recente é Jacob Zuma, líder do partido e eleito em maio do ano passado. A vitória foi polêmica, em razão de Zuma ser alvo de denúncias de corrupção.
A estabilidade política garantiu que a África do Sul continuasse sendo o país com maiores taxas de crescimento no continente africano. Apesar disso, a maior parcela da população negra não conseguiu deixar a pobreza e sofre com altos índices de desemprego e baixa escolaridade. Estima-se que mais da metade da população de 49 milhões de habitantes vive abaixo da linha da pobreza, com taxa de desemprego em torno de 24%.
Quase duas décadas depois do fim do apartheid, os negros, maioria absoluta na África do Sul, conquistaram o poder, mas continuam sendo segregados no âmbito econômico.
Sede da Copa do Mundo de 2010 e maior potência econômica no continente africano, a África do Sul conseguiu superar, nestas duas décadas, as barreiras legais e políticas que separavam brancos (apenas 9% da população) e negros. Mas um "muro" social mantém metade da população negra abaixo da linha da pobreza.
O fim do apartheid foi um evento tão importante na segunda metade do século 20 quanto a queda do Muro de Berlim e o colapso dos regimes comunistas no Leste Europeu e na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Esses eventos históricos aconteceram na mesma época.
Num mundo às portas da globalização, o apartheid era considerado uma aberração. O único paralelo na história, em termos de criação de leis de segregação racial, aconteceu na Alemanha nazista e em alguns estados sulistas dos Estados Unidos.
A prática da segregação na África do Sul remonta ao período colonial. Os africâners (ou bôeres), descendentes de holandeses, e os ingleses chegaram no século 17. As primeiras regras que restringiam o direito de ir e vir dos negros em colônias britânicas datam do século 19.
O regime foi implantado oficialmente em 1948, quando o Partido Nacional venceu as eleições. O partido conservador da elite branca governou o país até 1994. Entre outras regras, as leis impediam que negros frequentassem as mesmas escolas, restaurantes ou piscinas que brancos; que morassem em bairros de brancos; e determinava o registro da raça nos documentos pessoais.
O apartheid também acentuou uma história de lutas e resistência contra a minoria branca, o que resultou em massacres e na prisão de vários líderes negros; dentre eles, Mandela.
Libertação
Por conta da legislação racista, a África do Sul sofreu sanções políticas e embargos comerciais de países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). O país, por exemplo, foi banido dos Jogos Olímpicos durante 21 anos, por determinação do Comitê Olímpico Internacional.
A pressão externa e as revoltas domésticas começaram a produzir resultados em 1989, quando o presidente eleito Frederik Willem de Klerk deu início ao desmonte do sistema segregacionista. Ele legalizou partidos negros, como o Congresso Nacional Africano (CNA), de Nelson Mandela, e começou a revogar, aos poucos, as leis do apartheid.
O ato mais simbólico foi a libertação de Mandela, aos 71 anos de idade. Ele estava preso há 27 anos, condenado à prisão perpétua pelos crimes de traição, sabotagem e conspiração contra o governo. Uma vez fora da prisão, o movimento dos negros sul-africanos ganhou uma voz de expressão internacional.
Presidência
De Klerk e Mandela eram duas figuras antagônicas que a história se encarregou de unir. De Klerk foi o último presidente branco do país, um africâner oriundo das classes mais tradicionais. Mandela, primeiro presidente negro, pertencia a uma linhagem real da etnia dos xhosas; era de esquerda e defendia a luta armada contra o apartheid. Pelos esforços para derrubar o regime racista, ambos dividiram, em 1993, o prêmio Nobel da Paz.
A queda do apartheid começou com a criação de um fórum multirracial, a Convenção da África do Sul Democrática (Codesa), e a convocação de um referendo para aprovar uma nova Constituição. A Carta provisória, aprovada em 1993, revogou completamente as leis racistas.
O segundo passo foi a convocação das primeiras eleições democráticas multirraciais em 1994, que elegeram Mandela presidente. A vitória de Mandela pôs fim a três séculos e meio de dominação da minoria branca na África do Sul.
Ao tomar posse, o líder negro adotou um tom de reconciliação e superação das diferenças. Um exemplo disso foi realização da Copa Mundial de Rúgbi, em 1995. O esporte era uma herança do período colonial e, por isso, boicotado pelos negros por representar o governo dos brancos (veja filme indicado abaixo).
Nos dois anos seguintes, a Constituição definitiva e o processo de transição foram concluídos. Entre os anos de 1996 e 1998, o arcebispo Desmond Tutu liderou a Comissão de Verdade e Reconciliação para apurar crimes cometidos durante o apartheid. Foram abertos processos judiciais para pagamentos de indenizações às vítimas do regime.
Mandela deixou a Presidência em 1999 e passou a se dedicar a campanhas para diminuir os casos de Aids na África do Sul, emprestando seu prestígio para arrecadar fundos para o combate à doença. O país possui a maior quantidade de portadores de HIV no mundo: 5,7 milhões de pessoas.
Desigualdade social
Desde a eleição de Mandela, o Congresso Nacional Africano (CNA) mantém maioria na Assembleia Nacional e elege presidentes. O mais recente é Jacob Zuma, líder do partido e eleito em maio do ano passado. A vitória foi polêmica, em razão de Zuma ser alvo de denúncias de corrupção.
A estabilidade política garantiu que a África do Sul continuasse sendo o país com maiores taxas de crescimento no continente africano. Apesar disso, a maior parcela da população negra não conseguiu deixar a pobreza e sofre com altos índices de desemprego e baixa escolaridade. Estima-se que mais da metade da população de 49 milhões de habitantes vive abaixo da linha da pobreza, com taxa de desemprego em torno de 24%.
Quase duas décadas depois do fim do apartheid, os negros, maioria absoluta na África do Sul, conquistaram o poder, mas continuam sendo segregados no âmbito econômico.
sexta-feira, 5 de março de 2010
HAITI
De colônia mais rica do mundo no século 17 a país mais pobre do Hemisfério Ocidental, o Haiti passou os últimos 200 anos martirizado por golpes militares, violência, corrupção, fome e catástrofes naturais. O terremoto que praticamente destruiu a capital Porto Príncipe no dia 12 de janeiro de 2010 foi a pior das tragédias de sua história.
Estimativas apontam entre 150 e 200 mil mortos. Setenta e cinco mil já foram enterrados em valas comuns, segundo o governo haitiano. Entre os mortos estão 20 brasileiros: 18 militares que atuavam na missão de paz, Luiz Carlos da Costa, a segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, e a fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns.
Três milhões de pessoas, quase um terço da população, foram afetadas pelo terremoto. Muitas estão deixando o país, revivendo a migração de refugiados do período de ditadura.
Setenta por cento dos prédios de Porto Príncipe foram destruídos, incluindo o palácio presidencial. A infraestrutura da cidade, que já era precária, ficou comprometida, prejudicando os serviços de ajuda humanitária e socorro aos feridos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta para risco de epidemias como hepatite A, difteria, tuberculose, meningite e gripe suína.
Tremores
A República do Haiti situa-se na Hispaniola, uma das maiores ilhas do Caribe, e faz fronteira com a República Dominicana. Numa área de 27,7 quilômetros quadrados - pouco maior que o Estado de Sergipe, que possui 22 quilômetros quadrados - vivem 9 milhões de habitantes. O idioma oficial é o francês e o crioulo. A religião predominante entre os haitianos é a católica (80%), mas quase metade da população pratica o vodu, religião nativa.
O país é um dos mais pobres do mundo, com 80% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, com menos de US$ 2 (R$ 3,5) por dia. Também possui índices recordes de mortalidade infantil, desnutrição e contaminação por Aids. Em 2008, mais de mil pessoas morreram e 800 mil ficaram desabrigadas devido a furacões que devastaram a região, com prejuízos de US$ 1 bilhão.
O terremoto que atingiu o país às 16h53 locais registrou grau 7 na escala Richter, considerado "muito forte". Os tremores ocorreram a 10 km da superfície, o que contribuiu para aumentar os estragos nas cidades. Eles foram causados pelo movimento de placas tectônicas do Caribe e América do Norte. O Haiti fica exatamente sobre uma das falhas (espaço entre as duas placas), o que faz com que registre abalos sísmicos com certa frequência.
Tremores de terra dessa magnitude causariam danos em qualquer país, mas as condições históricas que tornam o Haiti uma nação carente de quase todo amparo social contribuíram para piorar a catástrofe.
Nação de ex-escravos
Em 1804, o Haiti foi o segundo país das Américas a conquistar independência das colônias europeias, atrás somente dos Estados Unidos (1776). Foi também a primeira nação negra livre do mundo e a primeira a libertar os escravos, servindo como exemplo de luta abolicionista para o restante do mundo, inclusive o Brasil.
Na época em que era colônia da França, no século 17, o Haiti era rico, responsável por 75% da produção mundial de açúcar. A luta pela independência começou em 1791, liderada pelo escravo Toussaint L'Ouverture, que venceu as tropas de Napoleão.
Ao término das guerras pela independência (1791-1804), toda estrutura agrária montada pela França estava destruída e não havia como substituir a mão de obra escrava nos campos. Os haitianos, escravos libertos mas analfabetos, sem experiência alguma em economia ou política, tiveram que construir uma nação.
Outro fato que dificultou a formação do Estado foi o isolamento do resto do mundo. Como os impérios da época temiam a influência dos negros revolucionários do Haiti, não reconheceram a independência e se recusaram a manter relações comerciais. Além disso, a França cobrou uma indenização pesada da ex-colônia, que o país levaria um século para pagar.
No século 20 ocorreu uma sucessão de golpes de Estado e deposições violentas de presidentes, que tornaram as condições políticas do país altamente instáveis e afugentaram investidores.
Um dos piores períodos corresponde às três décadas sob a ditadura Duvalier, primeiro de François Duvalier, o "Papa Doc", que governou o país de 1957 a 1971. Ele aboliu os partidos políticos, se autoproclamou presidente vitalício e impôs um regime de medo, torturando e matando dissidentes, chegando a um saldo de, estima-se, 30 mil mortos e 15 mil desaparecidos. Papa Doc foi sucedido pelo filho, Jean-Claude Duvalier, o "Baby Doc", que ficou no poder de 1971 a 1986, até ser deposto por uma junta militar.
Brasileiros
O primeiro presidente do Haiti, o ex-padre católico Jean-Bertrand Aristide, foi eleito em 1991. Mas ficou pouco tempo no cargo. O governo foi derrubado no ano seguinte por um golpe. Com apoio militar dos Estados Unidos, Aristide voltou ao poder em 1994, apenas para concluir o mandato e passar o comando para o ex-premiê René Préval, na primeira transição democrática da história haitiana.
Em 2001, Aristide foi reeleito, mas mais uma vez não conseguiu concluir o governo. Ele renunciou em 2004, pressionado por violentas revoltas nas ruas e sob acusação de corrupção e fraudes eleitorais.
Com a iminência de uma guerra civil, o Conselho de Segurança da ONU criou, em abril de 2004, a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah, na sigla em francês). O objetivo era desarmar os grupos guerrilheiros e assegurar a realização de eleições, para trazer estabilidade política e financeira ao país.
O Brasil, que até então nunca havia liderado uma missão de paz da ONU, ficou encarregado do comando militar. Dos 7.100 mil soldados de 17 nações que compõem a força de paz no Haiti, 1.266 são brasileiros. Eles foram responsáveis por pacificar as favelas de Porto Príncipe, controlada por gangues armadas. O trabalho da missão garantiu a realização das eleições de 2006, que devolveram ao cargo o ex-presidente René Préval.
Com o terremoto, a ONU solicitou o aumento de tropas para reforçar a segurança e ajudar na distribuição de remédios e alimentos à população. Foi marcada para o dia 25 de janeiro em Montreal, no Canadá, a primeira reunião preparatória para a conferência internacional para reconstrução do Haiti. Arruinados pelo terremoto, os haitianos dependem hoje totalmente da assistência internacional para sobreviverem.
José Renato Salatie
Org. Prof. Alex Mendes
Prof. Leonardo Dantas
Estimativas apontam entre 150 e 200 mil mortos. Setenta e cinco mil já foram enterrados em valas comuns, segundo o governo haitiano. Entre os mortos estão 20 brasileiros: 18 militares que atuavam na missão de paz, Luiz Carlos da Costa, a segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, e a fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns.
Três milhões de pessoas, quase um terço da população, foram afetadas pelo terremoto. Muitas estão deixando o país, revivendo a migração de refugiados do período de ditadura.
Setenta por cento dos prédios de Porto Príncipe foram destruídos, incluindo o palácio presidencial. A infraestrutura da cidade, que já era precária, ficou comprometida, prejudicando os serviços de ajuda humanitária e socorro aos feridos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta para risco de epidemias como hepatite A, difteria, tuberculose, meningite e gripe suína.
Tremores
A República do Haiti situa-se na Hispaniola, uma das maiores ilhas do Caribe, e faz fronteira com a República Dominicana. Numa área de 27,7 quilômetros quadrados - pouco maior que o Estado de Sergipe, que possui 22 quilômetros quadrados - vivem 9 milhões de habitantes. O idioma oficial é o francês e o crioulo. A religião predominante entre os haitianos é a católica (80%), mas quase metade da população pratica o vodu, religião nativa.
O país é um dos mais pobres do mundo, com 80% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, com menos de US$ 2 (R$ 3,5) por dia. Também possui índices recordes de mortalidade infantil, desnutrição e contaminação por Aids. Em 2008, mais de mil pessoas morreram e 800 mil ficaram desabrigadas devido a furacões que devastaram a região, com prejuízos de US$ 1 bilhão.
O terremoto que atingiu o país às 16h53 locais registrou grau 7 na escala Richter, considerado "muito forte". Os tremores ocorreram a 10 km da superfície, o que contribuiu para aumentar os estragos nas cidades. Eles foram causados pelo movimento de placas tectônicas do Caribe e América do Norte. O Haiti fica exatamente sobre uma das falhas (espaço entre as duas placas), o que faz com que registre abalos sísmicos com certa frequência.
Tremores de terra dessa magnitude causariam danos em qualquer país, mas as condições históricas que tornam o Haiti uma nação carente de quase todo amparo social contribuíram para piorar a catástrofe.
Nação de ex-escravos
Em 1804, o Haiti foi o segundo país das Américas a conquistar independência das colônias europeias, atrás somente dos Estados Unidos (1776). Foi também a primeira nação negra livre do mundo e a primeira a libertar os escravos, servindo como exemplo de luta abolicionista para o restante do mundo, inclusive o Brasil.
Na época em que era colônia da França, no século 17, o Haiti era rico, responsável por 75% da produção mundial de açúcar. A luta pela independência começou em 1791, liderada pelo escravo Toussaint L'Ouverture, que venceu as tropas de Napoleão.
Ao término das guerras pela independência (1791-1804), toda estrutura agrária montada pela França estava destruída e não havia como substituir a mão de obra escrava nos campos. Os haitianos, escravos libertos mas analfabetos, sem experiência alguma em economia ou política, tiveram que construir uma nação.
Outro fato que dificultou a formação do Estado foi o isolamento do resto do mundo. Como os impérios da época temiam a influência dos negros revolucionários do Haiti, não reconheceram a independência e se recusaram a manter relações comerciais. Além disso, a França cobrou uma indenização pesada da ex-colônia, que o país levaria um século para pagar.
No século 20 ocorreu uma sucessão de golpes de Estado e deposições violentas de presidentes, que tornaram as condições políticas do país altamente instáveis e afugentaram investidores.
Um dos piores períodos corresponde às três décadas sob a ditadura Duvalier, primeiro de François Duvalier, o "Papa Doc", que governou o país de 1957 a 1971. Ele aboliu os partidos políticos, se autoproclamou presidente vitalício e impôs um regime de medo, torturando e matando dissidentes, chegando a um saldo de, estima-se, 30 mil mortos e 15 mil desaparecidos. Papa Doc foi sucedido pelo filho, Jean-Claude Duvalier, o "Baby Doc", que ficou no poder de 1971 a 1986, até ser deposto por uma junta militar.
Brasileiros
O primeiro presidente do Haiti, o ex-padre católico Jean-Bertrand Aristide, foi eleito em 1991. Mas ficou pouco tempo no cargo. O governo foi derrubado no ano seguinte por um golpe. Com apoio militar dos Estados Unidos, Aristide voltou ao poder em 1994, apenas para concluir o mandato e passar o comando para o ex-premiê René Préval, na primeira transição democrática da história haitiana.
Em 2001, Aristide foi reeleito, mas mais uma vez não conseguiu concluir o governo. Ele renunciou em 2004, pressionado por violentas revoltas nas ruas e sob acusação de corrupção e fraudes eleitorais.
Com a iminência de uma guerra civil, o Conselho de Segurança da ONU criou, em abril de 2004, a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah, na sigla em francês). O objetivo era desarmar os grupos guerrilheiros e assegurar a realização de eleições, para trazer estabilidade política e financeira ao país.
O Brasil, que até então nunca havia liderado uma missão de paz da ONU, ficou encarregado do comando militar. Dos 7.100 mil soldados de 17 nações que compõem a força de paz no Haiti, 1.266 são brasileiros. Eles foram responsáveis por pacificar as favelas de Porto Príncipe, controlada por gangues armadas. O trabalho da missão garantiu a realização das eleições de 2006, que devolveram ao cargo o ex-presidente René Préval.
Com o terremoto, a ONU solicitou o aumento de tropas para reforçar a segurança e ajudar na distribuição de remédios e alimentos à população. Foi marcada para o dia 25 de janeiro em Montreal, no Canadá, a primeira reunião preparatória para a conferência internacional para reconstrução do Haiti. Arruinados pelo terremoto, os haitianos dependem hoje totalmente da assistência internacional para sobreviverem.
José Renato Salatie
Org. Prof. Alex Mendes
Prof. Leonardo Dantas
CRISE NA VENEZUELA
LEIAM TUDO COM MUITA ATENÇÃO E NÃO ESQUEÇAM QUE A CESPE PRECISA DE UMA LEITURA CRÍTICA.
Problemas políticos, financeiros e energéticos prejudicam Chávez
O ano de 2010 começou mal para o presidente venezuelano Hugo Chávez. Inflação, problemas com o abastecimento de energia elétrica, protestos de rua e conflitos internos no governo ameaçam a sobrevivência do "socialismo bolivariano".
Há quase 11 anos no poder, Chávez vê sua popularidade cair depois de três medidas polêmicas: a desvalorização da moeda local, os planos de racionamento de energia e o cancelamento da transmissão de canais de TV a cabo.
Isso em um ano decisivo de eleições parlamentares, marcadas para 26 de setembro. Chávez, que tem maioria na Assembleia venezuelana, corre o risco de perder apoio. Fato que já vem acontecendo na região, em decorrência da eleição de um antagonista no Chile, o empresário Sebastián Piñera, e da perda de um aliado em Honduras, o presidente Manoel Zelaya, deposto por um golpe de Estado há sete meses.
TVs a cabo
Os violentos protestos que dividiram o país entre chavistas e opositores são um reflexo da crise venezuelana. Dois estudantes foram mortos a tiros durante os tumultos.
O estopim foi o cancelamento, no dia 23 de janeiro de 2010, da transmissão de seis canais de TV a cabo. Entre as emissoras fechadas está a Radio Caracas Televisión Internacional (RCTVI), sucessora da RCTV, que em 2002 apoiou uma tentativa de golpe contra o presidente.
Segundo o governo, os canais foram retirados do ar devido ao descumprimento do decreto de dezembro de 2009, que obriga as emissoras, entre outras regras, a transmitirem na íntegra os discursos do presidente. Três TVs conseguiram regularizar a situação, enquanto as demais (incluindo a RCTVI) continuam com as atividades suspensas.
Em meio à pressão dos manifestantes, o presidente venezuelano sofreu duas baixas importantes no governo, com as renúncias do vice-presidente e ministro da Defesa, Ramón Carrizález, e do presidente do Banco Central, Eugénio Vázquez Orellana. Eles deixaram o cargo, respectivamente, nos dias 25 e 26 de janeiro.
Luz
Mas o descontentamento dos venezuelanos se deve, principalmente, às crises financeira e energética. Ambas têm origem no fato de o país depender do petróleo (a Venezuela é um dos maiores produtores e exportadores do mundo) e, segundo especialistas, na má aplicação dos recursos do setor e na criticável condução da política econômica.
A crise no abastecimento de energia elétrica se deve à falta de chuvas, que reduziu o nível dos reservatórios das hidrelétricas. A mais afetada foi a usina de Guri, que responde por 70% do abastecimento. O Estado de Roraima, que importa energia elétrica da Venezuela, também foi prejudicado.
Sem investimentos em infraestrutura para enfrentar períodos de seca, o governo teve de recorrer ao programa de racionamento. Cidades ficam sem luz durante quatro horas a cada dois dias, em regime de rodízio. Em Caracas, a capital, o governo suspendeu o racionamento, mas só devido à pressão popular.
Chávez anunciou, em caráter emergencial, a criação de um fundo de US$ 1 bilhão para aumentar a produção das termelétricas e um novo programa de racionamento, que aliviaria as classes mais pobres. Ele conta ainda com o apoio do governo brasileiro, que vai enviar especialistas em "apagão" para ajudar na recuperação do setor elétrico.
Inflação
Outra ação polêmica foi a adoção de um novo sistema cambial. Desde o dia 8 de janeiro de 2010, a Venezuela possui duas taxas cambiais: 2,6 bolívares (moeda local) o dólar, para importações de produtos de primeira necessidade (como alimentos e remédios), e 4,3 bolívares o dólar para as demais transações comerciais.
A intenção é estimular a produção nacional e recuperar o país da crise financeira, que reduziu o PIB (Produto Interno Bruto) em 2,9% no ano passado, depois de cinco anos de crescimento consecutivos. Contudo, a maior circulação de dinheiro e o aumento da demanda fizeram com que os comerciantes aumentassem os preços dos produtos. A Venezuela tem hoje uma das maiores taxas de inflação do mundo, de 25% ao ano.
Para combater a alta dos preços, Chávez recorreu ao Exército. Fechou 1,9 mil estabelecimentos acusados de remarcar preços irregularmente e expropriou a cadeia de supermercados francesa Êxito.
Popularidade
Desde que assumiu a presidência, em 1998, Chávez vem recorrendo a sucessivas consultas populares para se manter no cargo. Esse tipo de socialismo, financiado pelos dólares conseguidos por meio da exportação de petróleo, conquistou aliados nos governos da Bolívia, do Equador e da Nicarágua, além da condescendência do Brasil.
Em 2007, Chávez sofreu sua primeira derrota nas urnas, no referendo que previa reeleição ilimitada. No ano passado, submetido à mesma consulta popular, conquistou o direito de se candidatar sucessivas vezes à Presidência. Dessa forma, garantiu a candidatura, em 2012, a mais seis anos de mandato.
Contudo, a queda da popularidade, que se encontra abaixo dos 50% de aprovação, pode atrapalhar os planos do presidente venezuelano.
J.R. Salatiel – Org. Prof. Alex mendes
VENEZUELA EM CRISE
Mídia venezuelana contra-ataca
Por Mariana Timóteo da Costa em 4/2/2010
Os jornais e as revistas da Venezuela revidaram os ataques que vêm sofrendo de Hugo Chávez e publicaram, na segunda-feira (1/2) à noite, um comunicado em que rechaçam a decisão do presidente de fechar o canal (de oposição) RCTV, bem como sua perseguição às demais mídias venezuelanas.
"A vocação totalitária e ditatorial que caracteriza o regime dito comunista do coronel Chávez é incompatível com toda a ideia de exercício democrático", disse o documento, preparado pelo Bloco de Imprensa Venezuelano (BPV), que há 52 anos reúne os 34 principais meios impressos do país.
Novos protestos em Caracas
Miguel Henrique Otero, vice-presidente da BPV, disse ao Globo que o documento tem como objetivo chamar a atenção para o fato de "Chávez destruir a democracia".
– Com o fechamento da RCTV a cabo no último 24 de janeiro (que desencadeou uma onda de protestos), e o fato de Chávez já controlar boa parte das rádios e TVs venezuelanas, os jornais e revistas se tornaram o último bastião da liberdade de expressão, e está ficando cada vez mais difícil trabalhar – disse Otero, que é diretor de redação e acionista do diário El Nacional.
Os jornais venezuelanos andam sofrendo diretamente com a "nacionalização em massa de muitas empresas", segundo o BPV. Se antes cerca de 20% do faturamento de diários como o El Nacional e o El Universal vinham do Estado, agora o fato de Chávez controlar bancos, empresas de telefonia, eletricidade e até supermercados, como os da rede colombiana Exito, fizeram esse faturamento cair para 0%. No El Nacional, anunciam supermercados privados, estádios e equipes de beisebol, cinemas, peças teatrais e lojas.
O Sindicato Nacional dos Jornalistas alertou para o fechamento de 32 emissoras de rádio desde que Chávez assumiu o poder, em 1999. E pediu que jornalistas postassem em rede sociais como Facebook e Twitter, às 16h (18h30m em Brasília), as frases: "Venezuela declarada zona de desastre para o exercício da liberdade de expressão e o jornalismo. Venezuela livre".
A onda de protestos disparada pelo problema com a RCTV – aliada às crises energética, de abastecimento de água, e à recente desvalorização da moeda local – continua em Caracas.
Estudantes foram na terça-feira (2/2) ao Ministério Público pedir que autoridades investiguem agressões sofridas por manifestantes sexta passada, quando grupos não identificados atacaram a Universidade Católica Andrés Bello (Ucab).
– Estamos defendendo nossos espaços de luta de maneira pacífica e esperamos que o Estado faça o mesmo, punindo os responsáveis – disse Nizar El Fakih, aluno da Ucab e um dos líderes do movimento estudantil.
O Ministério Público prometeu averiguar os culpados. Os estudantes preparam para amanhã uma manifestação que promete parar as principais cidades. É dia 4 de fevereiro, data decretada por Chávez como feriado nacional.
O motivo? É aniversário do golpe frustrado que promoveu em 1992.
– É um absurdo comemorar a data em que deparamos com esse tirano pela primeira vez – disse o funcionário de um bar que, oposicionista, não se identifica por temer represálias.
***
"O xampu vai acabar"
Miguel Henrique Otero é diretor de redação e um dos acionistas do El Nacional e também vice-presidente do Bloco de Imprensa Venezuelano, que emitiu na terça (2/2) um documento afirmando que, ao perseguir a mídia, Hugo Chávez mostra sua "vocação totalitária e ditatorial".
Em entrevista ao Globo sobre as principais questões que afligem a Venezuela de Chávez, Otero diz que os próximos meses serão muito ruins e acrescenta: só a mobilização popular pode "resolver o problema".
Como o senhor classificaria o governo de Chávez?
Miguel Henrique Otero – É uma ditadura quando vemos o quanto ele sequestrou o poder público, o Congresso, os juízes, as estatais como as de petróleo, energia, até os provedores de internet. O único poder que ainda não controla é a mídia, mas tenta reduzir sua importância. Daí nossa luta. Ao mesmo tempo, podemos transitar livremente. Ainda podemos falar o que pensamos, e eleições são convocadas. Assim, a Venezuela se encaixa nos termos de um país democrático. O governo Chávez é de muito difícil definição.
Por que Chávez ainda é tão popular?
M.H.O. – É um comunicador nato, cujo discurso atrai admiradores; gasta muito – US$ 900 bilhões nos últimos 11 anos – em projetos sociais, como as Missões, que levam saúde e comida à população carente. Um terceiro fator é que a oposição foi incapaz de produzir um líder expressivo para combatê-lo. Mas toda essa aceitação está mudando. A classe média, por exemplo, não está mais satisfeita.
Por quê?
M.H.O. – Além de tirar emissoras populares como a RCTV do ar, impedindo as donas de casa de ver suas novelas, e controlar a liberdade de expressão, há a questão do racionamento de água e energia. Se temos falta de água e luz, a culpa é dele, que não investiu na manutenção das termoelétricas. Como um país rico em petróleo tem tamanho problema energético?
E a questão econômica? As piores consequências da desvalorização do bolívar estão por vir...
M.H.O. – Esse talvez seja o problema mais grave. Ele desvalorizou a moeda para ter mais dinheiro em caixa, neste importantíssimo ano de 2010 (por conta das eleições legislativas de setembro). E isso ainda não gerou a inflação esperada porque ele controla o comércio. Só que, em fevereiro, os estoques das lojas e dos supermercados vão acabar. Será preciso importar mais porque na Venezuela importamos quase tudo. E o xampu vai acabar se Chávez não autorizar o aumento dos preços. Ou o xampu acaba ou ninguém mais terá nada para comprar. Serão meses dificílimos. Já se fala em inflação de ao menos 40%.
Há rumores de que um golpe de Estado poderia ocorrer.
M.H.O. – Na geopolítica mundial e, principalmente entre os vizinhos da Venezuela na América do Sul, um golpe hoje é algo bastante improvável. Só acredito nas vias legais, no resultado das urnas em setembro, na pressão (até internacional) para que as eleições não sejam fraudulentas. E na mobilização da população. Algo como fizeram para o Muro de Berlim cair. (M.T.C.)
***
Sem motivos para comemorar
Fevereiro é um mês repleto de efemérides para Hugo Chávez. Se na quinta-feira (4/2) faz 18 anos que ele se tornou uma figura pública ao tentar, sem sucesso, um golpe de Estado contra o então presidente Carlos Andrés Pérez, na terça (2/2) o presidente celebrou, com um discurso de várias horas, o 11º aniversário do governo bolivariano.
O discurso marcou ainda a posse do novo vice-presidente, Elías Jaua. Mas as palavras de Chávez não conseguiram abafar a crise.
Depois de sofrer quatro baixas no governo na última semana, na terça foi a vez de o ministro do Turismo, Pedro Morejón, pedir demissão.
– Tenho 55 anos e 11 como presidente. Nos próximos 11 prometo me cuidar um pouco mais e, se vocês quiserem, dentro de 11 anos eu terei 66; e, se Deus quiser, 22 na presidência. Depois disso, mais 11 anos seriam demais – brincou, rindo, antes de ouvir como resposta um sonoro "não!" vindo da plateia.
O presidente anunciou que o ministro de Tecnologia de Cuba, Ramiro Valdez, chegou à Venezuela para liderar uma comissão técnica a fim de enfrentar a crise elétrica. O envio dos profissionais cubanos foi autorizado por Fidel Castro.
Desde o fim do ano passado, a Venezuela adota medidas de racionamento de energia em função das secas.
Chávez desistiu de limitar o consumo de energia elétrica em Caracas ciente do "impacto indesejável" na opinião pública. Mas, para especialistas, o racionamento na capital é iminente. Em Caracas, a população não sofre com apagões, mas há nas ruas muitos cartazes pedindo que os venezuelanos poupem energia.
Quem desembarca à noite na cidade percebe casas, ruas e estradas com pouquíssima luz. A água já é racionada em vários cantos da capital, em dias alternados de acordo com o bairro.
– É um saco, onde moro falta água justo no sábado e no domingo – diz o estudante Felipe Miguez, de 19 anos, que estava comprando um iPod numa loja da Apple no moderno shopping Millenium, na praça Los Dos Caminos, endereço nobre da capital de um país repleto de contrastes. (M.T.C.)
***
Como em Teerã
Twitter vira ferramenta dos manifestantes
[4/2/2010]
"Contra Esteban: marcha em CCS." "Tas ponchado a CH, o popstar." É com esses códigos que se comunicam os usuários do Twitter na Venezuela para protestar contra Hugo Chávez. Explicando: Esteban, na gíria local, é algo como "Zé Mané" no Brasil. E é assim que o presidente é chamado desde a publicação, na semana passada, de uma história em quadrinhos satirizando-o como Esteban no jornal Tal Cual. CCS é a abreviatura de Caracas e CH ou popstar são usados para se referir a Chávez. "Tas ponchado" – a frase mais dita pela oposição estudantil que vai às ruas da Venezuela – se refere a um jogador perdendo a chance de marcar numa partida de beisebol, o esporte mais popular do país.
A exemplo do que houve em Teerã após as eleições iranianas, o Twitter virou a ferramenta mais importante de mobilização política do país. O estudante de comunicação da Universidade Católica de Caracas Gabriel Bastidas, de 19 anos, é um dos mais ativos contribuintes: twitta, retwitta e avisa a todos sobre reuniões e atos de protesto.
– Amanhã (hoje) [4/2], por exemplo, às 8h (10h30m de Brasília) nos reuniremos na Católica para sair pelas ruas de Caracas. Não divulgamos o trajeto para evitar que as forças de repressão nos achem e prejudiquem o movimento – conta ele, que até ontem tinha 3 mil seguidores no Twitter. – É nossa válvula de escape, podemos falar sobre qualquer coisa lá, mandar fotos quando nossas manifestações são reprimidas, e, principalmente, falar mal do Chávez – emenda.
A estimativa é que haja 90 mil estudantes twitteiros na Venezuela.
O fenômeno é causado pelo grande número de usuários de smart phones no país, segundo o especialista em redes sociais Luís Carlos Díaz, do centro Gumilla de Novas Tecnologias:
– A Venezuela tem o maior número de usuários de Blackberry per capita na América Latina. Há pelo menos um milhão de aparelhos numa população de 28 milhões, o que dá mobilidade no acesso à internet. Duas das três empresas de telefonia celular ainda não foram nacionalizadas, aumentando a competividade. Os serviços de Blackberry são bons – afirma.
Nas ruas e no metrô de Caracas, é grande a quantidade de jovens com o aparelho nas mãos. Na terça-feira [2/2], os twitteiros venezuelanos mostraram seu poder: o Sindicato Nacional dos Jornalistas sugeriu aos usuários da ferramenta usar a frase "Venezuela: zona de desastre para o exercício da liberdade de expressão, #FreeVenezuela" em suas páginas. A ação conquistou o terceiro lugar no termômetro mundial de popularidade do site. (M.T.C.)
Problemas políticos, financeiros e energéticos prejudicam Chávez
O ano de 2010 começou mal para o presidente venezuelano Hugo Chávez. Inflação, problemas com o abastecimento de energia elétrica, protestos de rua e conflitos internos no governo ameaçam a sobrevivência do "socialismo bolivariano".
Há quase 11 anos no poder, Chávez vê sua popularidade cair depois de três medidas polêmicas: a desvalorização da moeda local, os planos de racionamento de energia e o cancelamento da transmissão de canais de TV a cabo.
Isso em um ano decisivo de eleições parlamentares, marcadas para 26 de setembro. Chávez, que tem maioria na Assembleia venezuelana, corre o risco de perder apoio. Fato que já vem acontecendo na região, em decorrência da eleição de um antagonista no Chile, o empresário Sebastián Piñera, e da perda de um aliado em Honduras, o presidente Manoel Zelaya, deposto por um golpe de Estado há sete meses.
TVs a cabo
Os violentos protestos que dividiram o país entre chavistas e opositores são um reflexo da crise venezuelana. Dois estudantes foram mortos a tiros durante os tumultos.
O estopim foi o cancelamento, no dia 23 de janeiro de 2010, da transmissão de seis canais de TV a cabo. Entre as emissoras fechadas está a Radio Caracas Televisión Internacional (RCTVI), sucessora da RCTV, que em 2002 apoiou uma tentativa de golpe contra o presidente.
Segundo o governo, os canais foram retirados do ar devido ao descumprimento do decreto de dezembro de 2009, que obriga as emissoras, entre outras regras, a transmitirem na íntegra os discursos do presidente. Três TVs conseguiram regularizar a situação, enquanto as demais (incluindo a RCTVI) continuam com as atividades suspensas.
Em meio à pressão dos manifestantes, o presidente venezuelano sofreu duas baixas importantes no governo, com as renúncias do vice-presidente e ministro da Defesa, Ramón Carrizález, e do presidente do Banco Central, Eugénio Vázquez Orellana. Eles deixaram o cargo, respectivamente, nos dias 25 e 26 de janeiro.
Luz
Mas o descontentamento dos venezuelanos se deve, principalmente, às crises financeira e energética. Ambas têm origem no fato de o país depender do petróleo (a Venezuela é um dos maiores produtores e exportadores do mundo) e, segundo especialistas, na má aplicação dos recursos do setor e na criticável condução da política econômica.
A crise no abastecimento de energia elétrica se deve à falta de chuvas, que reduziu o nível dos reservatórios das hidrelétricas. A mais afetada foi a usina de Guri, que responde por 70% do abastecimento. O Estado de Roraima, que importa energia elétrica da Venezuela, também foi prejudicado.
Sem investimentos em infraestrutura para enfrentar períodos de seca, o governo teve de recorrer ao programa de racionamento. Cidades ficam sem luz durante quatro horas a cada dois dias, em regime de rodízio. Em Caracas, a capital, o governo suspendeu o racionamento, mas só devido à pressão popular.
Chávez anunciou, em caráter emergencial, a criação de um fundo de US$ 1 bilhão para aumentar a produção das termelétricas e um novo programa de racionamento, que aliviaria as classes mais pobres. Ele conta ainda com o apoio do governo brasileiro, que vai enviar especialistas em "apagão" para ajudar na recuperação do setor elétrico.
Inflação
Outra ação polêmica foi a adoção de um novo sistema cambial. Desde o dia 8 de janeiro de 2010, a Venezuela possui duas taxas cambiais: 2,6 bolívares (moeda local) o dólar, para importações de produtos de primeira necessidade (como alimentos e remédios), e 4,3 bolívares o dólar para as demais transações comerciais.
A intenção é estimular a produção nacional e recuperar o país da crise financeira, que reduziu o PIB (Produto Interno Bruto) em 2,9% no ano passado, depois de cinco anos de crescimento consecutivos. Contudo, a maior circulação de dinheiro e o aumento da demanda fizeram com que os comerciantes aumentassem os preços dos produtos. A Venezuela tem hoje uma das maiores taxas de inflação do mundo, de 25% ao ano.
Para combater a alta dos preços, Chávez recorreu ao Exército. Fechou 1,9 mil estabelecimentos acusados de remarcar preços irregularmente e expropriou a cadeia de supermercados francesa Êxito.
Popularidade
Desde que assumiu a presidência, em 1998, Chávez vem recorrendo a sucessivas consultas populares para se manter no cargo. Esse tipo de socialismo, financiado pelos dólares conseguidos por meio da exportação de petróleo, conquistou aliados nos governos da Bolívia, do Equador e da Nicarágua, além da condescendência do Brasil.
Em 2007, Chávez sofreu sua primeira derrota nas urnas, no referendo que previa reeleição ilimitada. No ano passado, submetido à mesma consulta popular, conquistou o direito de se candidatar sucessivas vezes à Presidência. Dessa forma, garantiu a candidatura, em 2012, a mais seis anos de mandato.
Contudo, a queda da popularidade, que se encontra abaixo dos 50% de aprovação, pode atrapalhar os planos do presidente venezuelano.
J.R. Salatiel – Org. Prof. Alex mendes
VENEZUELA EM CRISE
Mídia venezuelana contra-ataca
Por Mariana Timóteo da Costa em 4/2/2010
Os jornais e as revistas da Venezuela revidaram os ataques que vêm sofrendo de Hugo Chávez e publicaram, na segunda-feira (1/2) à noite, um comunicado em que rechaçam a decisão do presidente de fechar o canal (de oposição) RCTV, bem como sua perseguição às demais mídias venezuelanas.
"A vocação totalitária e ditatorial que caracteriza o regime dito comunista do coronel Chávez é incompatível com toda a ideia de exercício democrático", disse o documento, preparado pelo Bloco de Imprensa Venezuelano (BPV), que há 52 anos reúne os 34 principais meios impressos do país.
Novos protestos em Caracas
Miguel Henrique Otero, vice-presidente da BPV, disse ao Globo que o documento tem como objetivo chamar a atenção para o fato de "Chávez destruir a democracia".
– Com o fechamento da RCTV a cabo no último 24 de janeiro (que desencadeou uma onda de protestos), e o fato de Chávez já controlar boa parte das rádios e TVs venezuelanas, os jornais e revistas se tornaram o último bastião da liberdade de expressão, e está ficando cada vez mais difícil trabalhar – disse Otero, que é diretor de redação e acionista do diário El Nacional.
Os jornais venezuelanos andam sofrendo diretamente com a "nacionalização em massa de muitas empresas", segundo o BPV. Se antes cerca de 20% do faturamento de diários como o El Nacional e o El Universal vinham do Estado, agora o fato de Chávez controlar bancos, empresas de telefonia, eletricidade e até supermercados, como os da rede colombiana Exito, fizeram esse faturamento cair para 0%. No El Nacional, anunciam supermercados privados, estádios e equipes de beisebol, cinemas, peças teatrais e lojas.
O Sindicato Nacional dos Jornalistas alertou para o fechamento de 32 emissoras de rádio desde que Chávez assumiu o poder, em 1999. E pediu que jornalistas postassem em rede sociais como Facebook e Twitter, às 16h (18h30m em Brasília), as frases: "Venezuela declarada zona de desastre para o exercício da liberdade de expressão e o jornalismo. Venezuela livre".
A onda de protestos disparada pelo problema com a RCTV – aliada às crises energética, de abastecimento de água, e à recente desvalorização da moeda local – continua em Caracas.
Estudantes foram na terça-feira (2/2) ao Ministério Público pedir que autoridades investiguem agressões sofridas por manifestantes sexta passada, quando grupos não identificados atacaram a Universidade Católica Andrés Bello (Ucab).
– Estamos defendendo nossos espaços de luta de maneira pacífica e esperamos que o Estado faça o mesmo, punindo os responsáveis – disse Nizar El Fakih, aluno da Ucab e um dos líderes do movimento estudantil.
O Ministério Público prometeu averiguar os culpados. Os estudantes preparam para amanhã uma manifestação que promete parar as principais cidades. É dia 4 de fevereiro, data decretada por Chávez como feriado nacional.
O motivo? É aniversário do golpe frustrado que promoveu em 1992.
– É um absurdo comemorar a data em que deparamos com esse tirano pela primeira vez – disse o funcionário de um bar que, oposicionista, não se identifica por temer represálias.
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"O xampu vai acabar"
Miguel Henrique Otero é diretor de redação e um dos acionistas do El Nacional e também vice-presidente do Bloco de Imprensa Venezuelano, que emitiu na terça (2/2) um documento afirmando que, ao perseguir a mídia, Hugo Chávez mostra sua "vocação totalitária e ditatorial".
Em entrevista ao Globo sobre as principais questões que afligem a Venezuela de Chávez, Otero diz que os próximos meses serão muito ruins e acrescenta: só a mobilização popular pode "resolver o problema".
Como o senhor classificaria o governo de Chávez?
Miguel Henrique Otero – É uma ditadura quando vemos o quanto ele sequestrou o poder público, o Congresso, os juízes, as estatais como as de petróleo, energia, até os provedores de internet. O único poder que ainda não controla é a mídia, mas tenta reduzir sua importância. Daí nossa luta. Ao mesmo tempo, podemos transitar livremente. Ainda podemos falar o que pensamos, e eleições são convocadas. Assim, a Venezuela se encaixa nos termos de um país democrático. O governo Chávez é de muito difícil definição.
Por que Chávez ainda é tão popular?
M.H.O. – É um comunicador nato, cujo discurso atrai admiradores; gasta muito – US$ 900 bilhões nos últimos 11 anos – em projetos sociais, como as Missões, que levam saúde e comida à população carente. Um terceiro fator é que a oposição foi incapaz de produzir um líder expressivo para combatê-lo. Mas toda essa aceitação está mudando. A classe média, por exemplo, não está mais satisfeita.
Por quê?
M.H.O. – Além de tirar emissoras populares como a RCTV do ar, impedindo as donas de casa de ver suas novelas, e controlar a liberdade de expressão, há a questão do racionamento de água e energia. Se temos falta de água e luz, a culpa é dele, que não investiu na manutenção das termoelétricas. Como um país rico em petróleo tem tamanho problema energético?
E a questão econômica? As piores consequências da desvalorização do bolívar estão por vir...
M.H.O. – Esse talvez seja o problema mais grave. Ele desvalorizou a moeda para ter mais dinheiro em caixa, neste importantíssimo ano de 2010 (por conta das eleições legislativas de setembro). E isso ainda não gerou a inflação esperada porque ele controla o comércio. Só que, em fevereiro, os estoques das lojas e dos supermercados vão acabar. Será preciso importar mais porque na Venezuela importamos quase tudo. E o xampu vai acabar se Chávez não autorizar o aumento dos preços. Ou o xampu acaba ou ninguém mais terá nada para comprar. Serão meses dificílimos. Já se fala em inflação de ao menos 40%.
Há rumores de que um golpe de Estado poderia ocorrer.
M.H.O. – Na geopolítica mundial e, principalmente entre os vizinhos da Venezuela na América do Sul, um golpe hoje é algo bastante improvável. Só acredito nas vias legais, no resultado das urnas em setembro, na pressão (até internacional) para que as eleições não sejam fraudulentas. E na mobilização da população. Algo como fizeram para o Muro de Berlim cair. (M.T.C.)
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Sem motivos para comemorar
Fevereiro é um mês repleto de efemérides para Hugo Chávez. Se na quinta-feira (4/2) faz 18 anos que ele se tornou uma figura pública ao tentar, sem sucesso, um golpe de Estado contra o então presidente Carlos Andrés Pérez, na terça (2/2) o presidente celebrou, com um discurso de várias horas, o 11º aniversário do governo bolivariano.
O discurso marcou ainda a posse do novo vice-presidente, Elías Jaua. Mas as palavras de Chávez não conseguiram abafar a crise.
Depois de sofrer quatro baixas no governo na última semana, na terça foi a vez de o ministro do Turismo, Pedro Morejón, pedir demissão.
– Tenho 55 anos e 11 como presidente. Nos próximos 11 prometo me cuidar um pouco mais e, se vocês quiserem, dentro de 11 anos eu terei 66; e, se Deus quiser, 22 na presidência. Depois disso, mais 11 anos seriam demais – brincou, rindo, antes de ouvir como resposta um sonoro "não!" vindo da plateia.
O presidente anunciou que o ministro de Tecnologia de Cuba, Ramiro Valdez, chegou à Venezuela para liderar uma comissão técnica a fim de enfrentar a crise elétrica. O envio dos profissionais cubanos foi autorizado por Fidel Castro.
Desde o fim do ano passado, a Venezuela adota medidas de racionamento de energia em função das secas.
Chávez desistiu de limitar o consumo de energia elétrica em Caracas ciente do "impacto indesejável" na opinião pública. Mas, para especialistas, o racionamento na capital é iminente. Em Caracas, a população não sofre com apagões, mas há nas ruas muitos cartazes pedindo que os venezuelanos poupem energia.
Quem desembarca à noite na cidade percebe casas, ruas e estradas com pouquíssima luz. A água já é racionada em vários cantos da capital, em dias alternados de acordo com o bairro.
– É um saco, onde moro falta água justo no sábado e no domingo – diz o estudante Felipe Miguez, de 19 anos, que estava comprando um iPod numa loja da Apple no moderno shopping Millenium, na praça Los Dos Caminos, endereço nobre da capital de um país repleto de contrastes. (M.T.C.)
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Como em Teerã
Twitter vira ferramenta dos manifestantes
[4/2/2010]
"Contra Esteban: marcha em CCS." "Tas ponchado a CH, o popstar." É com esses códigos que se comunicam os usuários do Twitter na Venezuela para protestar contra Hugo Chávez. Explicando: Esteban, na gíria local, é algo como "Zé Mané" no Brasil. E é assim que o presidente é chamado desde a publicação, na semana passada, de uma história em quadrinhos satirizando-o como Esteban no jornal Tal Cual. CCS é a abreviatura de Caracas e CH ou popstar são usados para se referir a Chávez. "Tas ponchado" – a frase mais dita pela oposição estudantil que vai às ruas da Venezuela – se refere a um jogador perdendo a chance de marcar numa partida de beisebol, o esporte mais popular do país.
A exemplo do que houve em Teerã após as eleições iranianas, o Twitter virou a ferramenta mais importante de mobilização política do país. O estudante de comunicação da Universidade Católica de Caracas Gabriel Bastidas, de 19 anos, é um dos mais ativos contribuintes: twitta, retwitta e avisa a todos sobre reuniões e atos de protesto.
– Amanhã (hoje) [4/2], por exemplo, às 8h (10h30m de Brasília) nos reuniremos na Católica para sair pelas ruas de Caracas. Não divulgamos o trajeto para evitar que as forças de repressão nos achem e prejudiquem o movimento – conta ele, que até ontem tinha 3 mil seguidores no Twitter. – É nossa válvula de escape, podemos falar sobre qualquer coisa lá, mandar fotos quando nossas manifestações são reprimidas, e, principalmente, falar mal do Chávez – emenda.
A estimativa é que haja 90 mil estudantes twitteiros na Venezuela.
O fenômeno é causado pelo grande número de usuários de smart phones no país, segundo o especialista em redes sociais Luís Carlos Díaz, do centro Gumilla de Novas Tecnologias:
– A Venezuela tem o maior número de usuários de Blackberry per capita na América Latina. Há pelo menos um milhão de aparelhos numa população de 28 milhões, o que dá mobilidade no acesso à internet. Duas das três empresas de telefonia celular ainda não foram nacionalizadas, aumentando a competividade. Os serviços de Blackberry são bons – afirma.
Nas ruas e no metrô de Caracas, é grande a quantidade de jovens com o aparelho nas mãos. Na terça-feira [2/2], os twitteiros venezuelanos mostraram seu poder: o Sindicato Nacional dos Jornalistas sugeriu aos usuários da ferramenta usar a frase "Venezuela: zona de desastre para o exercício da liberdade de expressão, #FreeVenezuela" em suas páginas. A ação conquistou o terceiro lugar no termômetro mundial de popularidade do site. (M.T.C.)
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